TIMBILA MUZIMBA

Timbila Muzimba

Ao grupo do Bairro “Unidade 7” juntaram-se outros jovens músicos da capital com raízes culturais de várias províncias no norte e no centro do país. Todos eles partilharam a mesma paixão pelos ritmos, instrumentos e danças da sua terra.
Sendo um grupo de música e dança o nome “Timbila Muzimba” reflecte os dois elementos do espectâculo; o som da “Timbila” e o movimento do “Muzimba”,palavra chopi que significa corpo. Há uma estreita ligação entre movimento e som em toda música Moçambicana. Isso é presente durante todo o espectáculo de Timbila Muzimba.havendo sempre uma comunicação entre os solistas da música com os solistas da dança.

Mas este grupo de jovens cresceu com influências e gostos pela música e dança contemporânia africana como também pelo jazz, reggae rock, rap hip-hop, etc. Assim eles têm vindo a trabalhar na combinação de instrumentos musicais, ritmos, movimentos e melodias tradicionais com os sons contemporâneos com objectivo de dar uma nova dinâmica a música tradicional. Esperam nesse sentido garantir um acesso mais alargado e maior envolvimento do público moçambicano e do mundo .
Embora uma boa parte do reportório do grupo seja baseado em timbila, o grande desafio do grupo, é de criar uma identidade nova da sua geração e representar a sua realidade no novo milenium. Os velhos que detêm conhecimentos profundos e constituem a ponte entre as gerações estão a morrer. Eles contribuem muito criticando certas mudanças e dão as suas propostas de forma a manter as raízes culturais. Moçambique é um país vasto e é habitado por povos com cultura, língua e hábitos diversos, mas nos últimos anos, tal como o mundo inteiro, tornou-se mais pequeno. Com os meios de comunicação sempre desenvolvendo, a possibilidade de intercâmbio cultural é cada vez maior. A música, dança e o trabalho da orquestra Timbila Muzimba reflecte essa nova realidade.

Em 1998 os membros da orquestra começaram uma pesquisa nacional dos ritmos, canções, danças, técnicas de construção e execução de instrumentos musicais tradicionais de Moçambique. Assim sendo, o reportório da orquestra inclue temas inspirados nas diversas tradições dos diferentes grupos étnicos existentes no país.

Em 1999 Timbila Muzimba ganhou o primeiro prémio no concurso Music Cross-roads, um concurso regional, neste caso África Austral, onde participam músicos selecionados para representar os seus países. O prémio dava direito a uma digressão pela Europa, nomeadamente Alemanha, Suécia e Noruega no ano 2000 e participação em diferentes Festivais.
Representando Moçambique a Orquestra realizou actuações em Grécia e Luxemburgo em 2002, em Portugal e Swazilândia em 2003 e novamente Portugal em 2004 numa digressão de quatro meses.

A Orquestra tem como base do seu trabalho a música, danças e construção de instrumentos musicais moçambicanos investigando no campo através de fontes orais, trocando experiências com outros músicos, participando em cerimónias tradicionais (ritos de iniciação,dança dos curandeiros,etc). Por outro lado através dos meios audiovisuais e bibliográficos que o ARPAC (Arquivo do Património Cultural) nos faculta. O repertório da orquestra inclui alguns temas tradicionais de outros países resultado dos workshops realizados nos mesmos.

A Orquestra colabora com músicos de outros países que passaram por Moçambique em intercâmbios culturais permitindo uma visão mais ampla do que acontece no mundo.